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Nota
histórica
O interesse pela problemática da gestão
do desporto tem vindo a ser desenvolvido por sucessivas gerações
de académicos e profissionais que deram o melhor do seu
esforço para a afirmação dos Licenciados
em Educação Física no mundo do desporto,
um meio, como se sabe, de difícil penetração.
De facto, a Faculdade de Motricidade Humana (FMH) através
dos seus licenciados, já desde os anos sessenta, no quadro
do processo de Planeamento da Acção Educativa, desencadeado
pelo então Ministro da Educação Nacional
Prof. Doutor Inocêncio Galvão Teles em Julho de 1963,
ou até pela sua participação na elaboração
do Planos de Fomento Gimnodesportivo integrados nos Planos de
Fomento Nacional que perduraram até Abril de 1974, esteve,
quer directa quer indirectamente, envolvida nas questões
relativas à organização e gestão do
desporto, bem como às problemáticas referentes ao
seu desenvolvimento. Este envolvimento iniciou-se fundamentalmente
com a institucionalização da Direcção-Geral
de Educação Física Desportos e Saúde
Escolar, através do Decreto n.º 32946, de 3 de Agosto
de 1943. Recorde-se que o Instituto Nacional de Educação
Física tinha sido fundado em 1940 pelo Decreto n.º
30279, de 23 de Janeiro, o que permitiu a existência de
recursos humanos com formação específica.
O “take-off”
do desporto moderno
Desde que a televisão entrou pela primeira vez
nos Jogos Olímpicos, a estrutura do desporto moderno tem
vindo a alterar o seu desenho, provavelmente como nenhuma outra
actividade humana do domínio social. Na realidade, os Jogos
Olímpicos de Roma e os anos sessenta ficarão marcados
para a história do desporto mundial, como a fase de “take
off”, quer dizer, o momento em que ficaram estabelecidas
as condições de arranque para que o desporto moderno
iniciasse a dinâmica de expansão à escala
do Planeta que hoje se verifica.
No entanto, se até finais dos anos setenta a ênfase
era colocada no domínio da prática, da didáctica,
da pedagogia do desporto e da metodologia do treino, direccionados
para a Disciplina de Educação Física quer
no ensino curricular do desporto quer nos processos de desenvolvimento
do desporto formal organizados no quadro das Federações
Desportivas, as novas realidades sociais emergentes, nos domínios
do tempo livre e do lazer desportivo, associadas aos novos hábitos
sociais, às modernas tecnologias e às radicais alterações
das condições de trabalho e estrutura do emprego,
começaram a fazer despontar, sobretudo a partir do início
dos anos oitenta, outras dinâmicas em relação
ao conceito de desporto e, consequentemente, outras estruturas
de conhecimento de suporte à sua organização.
Uma capacidade de intervenção
adquirida
A FMH, tem demonstrado capacidade para responder, das
mais diversas maneiras, às necessidades detectadas na sociedade
desportiva, em matéria de desenvolvimento, organização,
e gestão do desporto no quadro do movimento desportivo
tradicional. Adquirimos, ao longo dos últimos anos, tanto
a nível nacional como internacional, uma experiência
significativa e um conhecimento estruturado nesta matéria.
A nível nacional temos vindo a colaborar com diversos organismos
do Sistema Desportivo em projectos que se traduzem em mais oportunidades
de trabalho para as novas gerações de licenciados.
Estamos, a desenvolver a Licenciatura em Ciências do Desporto
– Menção de Gestão do Desporto, que
acabou de entrar no sétimo ano de vida. Os primeiros licenciados
nesta especialidade foram colocados no mercado de trabalho no
ano de 1999. Noutra dimensão, está a decorrer o
IV Mestrado de Gestão do Desporto – Gestão
das Organizações Desportivas, em colaboração
com diversas entidades nacionais e internacionais entre elas o
Sport Management Committe da European Network in Sport Sciences.
Temos vindo a produzir diversas monografias de mestrado e doutoramento
no domínio da gestão do desporto.
A nível internacional, no âmbito do Sport Management
Committe da European Network in Sport Sciences, temos cooperado
em diversos projectos de interesse comum com as universidades
de Northumbria Newcastle (Reino Unido), Claude Bernard - Lyon
I (França), Bayreuth (Alemanha) e outras. Enviamos e recebemos
alunos de vários países europeus no âmbito
do programa Sócrates. Participamos desde 1992, em comum
com outras universidades europeias, na organização
de um seminário anual de gestão do desporto, dirigido
aos estudantes de gestão do desporto de várias universidades
europeias. Em Setembro de 1998 tivemos mesmo o ensejo de organizar
o “VI Seminário Europeu de Gestão do Desporto”
na cidade do Funchal, bem como o Congresso Europeu de Gestão
do Desporto que se realiza anualmente.
Entretanto, o processo desportivo tem vindo a integrar-se cada
vez mais numa perspectiva económica e financeira, pelo
que desde já antevemos a necessidade de serem desenvolvidas
novas competências que podem ser conseguidas pela criação
de sinergias dentro da própria Universidade Técnica.
É, por isso, necessário idealizar um novo modelo
de formação inicial no âmbito da Gestão
do Desporto em que as variáveis económica e financeira
possam assumir um peso significativo na estrutura curricular.
Um novo paradigma
Hoje, o desporto já não é o que
costumava ser. O seu padrão organizacional atingiu níveis
de exigência que ultrapassam a tradicional organização
de dirigentes benévolos e voluntários envolvidos
na gestão das modalidades desportivas por meras razões
de supercompensação, ou até por especialistas
em desporto com uma formação inicial, fundamentalmente,
nos domínios do ensino e / ou do treino.
Esta nova realidade, vai criar um sem número de oportunidades
para as novas gerações em busca dum espaço
de afirmação pessoal e profissional.
De facto, a importância que o desporto tem vindo a assumir
na sociedade actual está a abrir inúmeras oportunidades
de trabalho e, em consequência, novas funções,
competências e empregos. Hoje em dia, a contabilidade das
profissões do desporto já ultrapassa o número
de cem, estando nelas incluídas muitas que se relacionam
ou têm a ver com a utilização de técnicas
de gestão contextualizadas ao mundo das organizações
e sistemas desportivos. São estas oportunidades que é
necessário explorar. Se não o fizermos, outros fá-lo-ão
por nós.
Conclusão
Pelo exposto, podemos afirmar que as problemáticas
relativas à gestão, organização e
desenvolvimento do desporto na nossa Faculdade, não são
uma simples questão de moda provocada por qualquer circunstancialismo
conjuntural. Pelo contrário, a gestão no quadro
da organização e desenvolvimento do desporto tem
entre nós, um importante passado por tudo aquilo que foi
realizado e conseguido, um significativo presente pelos projectos
que desde início dos anos oitenta foram iniciados pelo
então responsável por esta área o Professor
José Maria Noronha Feio, e um auspicioso futuro pelas oportunidades
que estamos, já hoje, a potencializar para as novas gerações
em busca de trabalho num mundo em que os empregos interessantes
estão a rarear.
No entanto, porque conhecemos a situação, somos
de opinião de que é necessário e urgente
desencadear um novo salto qualitativo, através do desenvolvimento
da Licenciatura em Ciências do Desporto – Menção
Gestão do Desporto, da FMH para uma nova Licenciatura a
designar simplesmente por Licenciatura em Gestão do Desporto.
A necessidade deste salto qualitativo fica a dever-se à
necessidade de encontrar outras dinâmicas e criar novas
sinergias, de forma que no âmbito da Universidade Técnica
de Lisboa, seja possível encontrar um modelo de formação
inicial no âmbito da gestão do desporto, que responda
duma forma cabal às necessidades e exigências do
fenómeno sociodesportivo.
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