Foi com muito gosto que voltámos a tocar na Casa dos Leões, em Carnaxide, um regresso que segundo consta era já aguardado com alguma ansiedade por parte dos nossos conhecidos anfitriões. E desta vez o espectáculo decorreu novamente numa data festiva - o dia de reis.
Como não podia deixar de ser, preparámos um reportório especial onde, para além das já aclamadas serenatas, incluímos duas músicas novas para cantar as janeiras: um conjunto de quadras musicadas, em que o título podia ser qualquer coisa como “Ano novo! Ano novo, melhor ano!” (na verdade o nome não importa, quem cantou a música não a esquecerá tão cedo, ou pelo menos o refrão…); mas também o muito popular “Natal dos simples”, de Zeca Afonso, onde destacamos a forma brilhante como o nosso solista realçou o verso “rabanadas, pão e vinho novo”, dando um toque pessoal à música. Afinal de contas, o GSFMH passou 2009 - Ano Europeu da Criatividade e Inovação - a investir nesta mesma temática, pelo que os resultados estão à vista, e não foi só nas novas músicas, também as nossas serenatas surgiram com um novo ar. Sem “Sombras” de dúvida que a sabedoria popular, tal como o algodão, não engana: “ano novo, vida nova”…
E por falar em vida nova, todos os presentes na actuação puderam desfrutar duma inovadora troca de papéis, onde a tradicional hierarquia do GSFMH sofreu algumas alterações, mas não se preocupem os mais antigos com o futuro do grupo, foi só durante uma noite… E a verdade é que a experiência foi bastante agradável, sendo de realçar o grande carinho com que os veteranos trataram aqueles que eram, sem dúvida alguma, os melhores caloiros que alguma vez lhes passaram pelas mãos (ou quiçá, de sempre); bem como os lendários “17”, partilhados por todos um pouco antes da hora de salvar o grupo de possíveis danos, quem sabe, irreparáveis. Havia tanto entusiasmo e vontade de fazer história que ainda (a)fundavam este novo GSFMH, nunca se sabe no que estas coisas podem dar…
E assim se passou mais um sarau nesta casa: entre músicas e quadras de ano novo, serenatas e bacalhau, vinho e janeiras, festa e melão, palavras de agradecimento e de saudade (houve até quem reconhecesse os elementos que haviam estado presentes na anterior actuação de há dois anos, e aposto que depois disto ainda há quem diga que a memória piora com a idade…) e, finalmente, as habituais conversas a recordar a alegria e energia da juventude que, como nos mostraram novamente, contínua viva neste lar. Houve até elementos do grupo que confessaram gostar de passar alguns dos seus últimos anos por ali! Já estou a ver o Toldo, com os seus 83 anos (e os seus 2,30 m, que há quem diga que ele ainda não parou de crescer): “Sabes meu rapaz, quando eu tinha a tua idade viemos cá cantar as janeiras… Que saudades que eu tenho daquelas rabanadas…”.
Acreditamos que todos desfrutaram desta iniciativa nunca antes testada em termos musicais no GSFMH (ou pelo menos não nos atiraram aos leões, o que já não é mau de todo), por isso: até uma próxima!
Wally’s Reports – a alegria de as encontrar