Crónicas de Singapura…mais perto do Natal…
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Retomo hoje, 17 de Novembro de 2008, os relatos sobres as aventuras edesventuras experiênciadas nesta ilha.
O tema central desta segunda crónica é: “As loucas noites da Salsa”.
Mas já lá vamos..
Vou começar por vos tentar dar uma visão mais completa, e a 360º, uma vez que estou quase a completar 5 meses de permanência neste território. O meu conhecimento sobre a cultura, costumes e outros aspectos do dia a dia são agora mais detalhados, o que também poderá ser interessante para vós.
Confesso que a experiência, embora por vezes dificil, tem sido bastante gratificante, o que pelo menos compensa o facto de estar longe de casa, da família e amigos.
Por falar nisso, Dezembro estou aí…
As origens étnicas em Singapura são: 76% chineses, 15% malaios (da Malásia), 7% indianos e os considerados “outros” são 2,3%, números que obviamente influenciam os aspectos sociais e culturais do país.
Geralmente as culturas não se misturam mas, como em tudo, existem algumas raras excepções, usualmente, instigadas pela quantidade de sangue no álcool, haha.. O que dá umas misturas fantásticas.. Falo dos descendentes, óbvio.
Portanto, na rua, no trabalho e em locais públicos a grande maioria das pessoas é de origem chinesa.
Essencialmente, são povos mais ou menos simpáticos sendo, na minha opinião, o grau de interacção inversamente proporcional aos valores demográficos.
Curiosamente, ou não, existe uma referência às influências portuguesas por estas bandas, http://www.usp.nus.edu.sg/post/singapore/people/eurasian.html
Em termos de riqueza, também há pobreza. Ou seja, há pessoas que auferem ordenados exorbitantes tipo 15, 20.000Eur mês ou mais (geralmente altos cargos de empresas privadas, só para que conste eu trabalho para a função publica..) e há outros que têm de recolher latas vazias nos restaurantes para ganhar algum dinheiro e dormem debaixo da ponte, mas o nível médio de riqueza é considerado satisfatório e um dos melhores na Ásia.
Em termos de trabalho são bastante exigentes e trabalham por objectivos havendo obviamente um controlo semestral ou anual.
Desde que cheguei já fiz alguns amigos, a grande maioria fundamentalmente na Salsa mas também alguns no trabalho. Desde já vos digo meus amigos quem baila e tem facilidade em relacionar-se com pessoas, têm muito mais facilidades. E segundo o que me dizem aqui “conections” é o que interessa depois é que vêm os “professional skills”.. Humm… Onde é que já ouvi isto? Wally não
treines não…
Ontem, Domingo, fui ao meu primeiro “conbíbio” português. “Rapaces” só vos digo uma coisa: Apreciem aí a bela comidita portuguesa..
Quando vi o chouriço assado, uma alheiras, o bacalhau com natas, umas garrafitas do Dão e para finalizar um Porto vintage. Ò meus amigozzzz.. até me vieram lágrimas aos olhos..
Pois é.. A vida aqui não é fácil.. Se não fosse o apoio socio-comunitário dos amigos(as) locais, estava desgraçado.
Por falar em socio-comunitário, chegámos ao tema principal desta crónica, a Salsa..
Amigos.. cada vez mais, neste mundo onde a afectividade perde espaço exponencialmente para a busca da excelência, a dança surge como que um porto de abrigo para muitos(as). É como que uma ilhota isolada no meio do oceano da vida onde alguns afortunados ganham força, exploram e desenvolvem a criatividade, criam e reforçam laços afectivos descobrindo, por vexes, as suas almas gemeas.
Partilho convosco alguns pensamentos de alguns ilustres sobre a dança:
“I would believe only in a God that knows how to dance.” Friedrich Nietzsche
“Dance first. Think later. It’s the natural order.” Samuel Beckett
“Never trust a spiritual leader who cannot dance.” Mr. Miyagi, The Next Karate Kid, 1994
Como podem reparar a dança sempre exerceu e sempre exercerá beneficios sobre a humanidade. Gosto particularmente desta citação: ” There is a bit of insanity in dancing that does everybody a great deal of good.” Edwin Denby
O pessoal daqui gosta bastante da Salsa, alias, tal como em Portugal, mas persiste a noção de que a Salsa (e a dança em geral) é para ser olhada à distância, não para ser praticada ao desbarato por todos. Como dizem os japoneses que, por acaso, também adoram a Salsa: “We’re fools whether we dance or not, so we might as well dance.” Japanese Proverb..
Com o espirito adventício do Natal a chegar a todos os centros comerciais de todos os países em todo o mundo, achei por bem antecipar-me à grande corrida, que também acontecerá aqui na web, e enviar-vos algo de diferente.
Aprendi com os mais velhos e experientes, cuja sabedoria é muitas vezes desprezada, que a vida são dois dias portanto mais vale o Carnaval que são três lol..
É interessante verificar como até aqui em Singapura se celebra o Natal. Alias, aqui, celebra-se tudo. É Natal, é Hari Raya (cultura malaia), é Deepavali (cultura indiana), é Ano novo chinês. Para além dos habituais feriados que também acontecem por todo o mundo, dia do trabalhador, dia do País, etc..
Os centros comerciais atafulham-se de gente, deserta, para fazer as compras de Natal. Se bem que aqui em Singapura a cultura do consumismo tem muito mais relevo do que em Portugal. Talvez seja porque Singapura concentra 4,5 milhões de pessoas num espaço físico equivalente à área da grande Lisboa. Sim, talvez.. Claro que temos de colocar na equação o poder económico dos locais que, diga-se de passagem, é claramente superior ao dos portugueses.
Bem rapaziada divirtam-se e vemo-nos em Dezembro.
Avrace
o de rachar, pelo que só os bravos conseguiram actuar, jantar, e voltar a actuar! Tão bravos que jantaram ao frio, numa espécie de aquecimento.
de maneira de nenhuma! E por isso houve saídas a correr do trabalho, e mesmo trocas de horários – tudo para marcar presença numa actuação que ficará para a história do grupo! A chegada ao local ocorreu de forma absolutamente pontual (como já é hábito no mundo das tunas), e os caloiros tiveram o privilégio de vir na carrinha da prisão, não fosse acontecer ser confundida como uma nova leva de presos (provavelmente não se lembraram que a prisão é só para mulheres…). A recepção não poderia ter sido mais entusiasta: guardas com caçadeiras nas mãos… Dizem que o primeiro comentário da organização foi: “Vocês entram directamente para o palco, senão não chegam lá inteiros!”, ainda antes de se combinar quanto tempo tocaríamos. Mais tarde foi-nos dito que dois anos atrás uma dupla brasileira (provavelmente sertaneja) teve o seguinte diálogo em palco: “Tá sentindo sua bunda? É que eu não…”, tal foi a intensidade do contacto corporal com o público.