Do Castelo ao Bairro Alto numa penada (duplo sentido para além do óbvio)
Era uma vez uma bela noite de Inverno Outono [Há pessoas que nem sabem quando começa a primavera.(*)]. Á hora combinada, ou quase, reuniram-se, nas portas do Castelo de São Jorge, alguns dos mais encantadores membros do Grupo de Serenatas da Faculdade de Motricidade Humana (GSFMH). Tardiamente, vieram não só a descobrir que tinham algo em comum – o invejado estatuto de caloiro (**) –, mas também que esta circunstância não era obra do acaso.
Ou seja, os veteranos do GSFMH haviam decidido encarregar a caloirada de espalhar magia por Lisboa, realizando serenatas em locais emblemáticos da cidade. Escusado será dizer que eles estavam a encher o bandulho no ponto de chegada os veteranos procuravam reforçar as relações socioculturais com os clientes da Adega da Barroca, no sentido gastronómico-boémio da expressão, sabe-se lá com quê…
Bom, a verdade é que perderam belas serenatas para ainda mais bonitas donzelas [Pronto, nem sempre, mas quase sempre. Parecendo que não, a malta toca que (se) farta], e a oportunidade de figurar nas nossas magníficas fotos, tiradas para registar os momentos de encanto. O próprio Fernando Pessoa não resistiu a juntar-se ao grupo… E não desafinou uma única vez! Eu sempre disse que o moço tinha queda para as artes.
Depois da longa jornada, visitando o Castelo, a Sé, a frontaria da Casa dos Bicos, o Rossio, o Largo Camões e o vetusto Bairro Alto [Omitindo as etapas não oficiais…], lá encontrámos os sábios veteranos, entre os quais figuravam os quase desaparecidos Guiça e Violino, prontos para nos receber de mãos abertas e conviver o resto da noite. Para além do passeio da bonita e imaginativa praxe, houve quem acompanhasse o GSFMH pela primeira vez e ainda quem atingisse o invejado (já tinha dito invejado lá em cima?), único e magnífico estatuto de caloiro (Grande Guilherme!), mesmo que ausente por motivos de saúde… Fica para a História: uma praxe à distância e uma cerimónia de promoção sem o promovido.
Houve quem achasse que era para ter sido um espectáculo no âmbito da Presidência Portuguesa da UE, mas afinal parece que foi uma reedição daquela cena esquisita e antiga, em que 200 gajos subiram ao Castelo em vão famosa praxe casteleira de 1990. Ou isso, ou foi um ideia do Socas.
Ólio, o seu lubrificante sinté(c)tico…
(embora às vezes se alongue na prosa)
Notas do editor:
(*) A Primavera começa quando chegam as andorinhas. Como os caçadores têm andado um bocado activos, as andorinhas não se aprochegam (contracção de “aproximam” com “chegam” ou “aconchegam”, consoante as fontes), o que implica um atraso no início da época das flores e, consequentemente, uma desordem no habitual calendário das estações.
(**) Invejado pelos candidatos.