O Épico Barrosão
Pois bem, não poderia ter sido de outra forma: boa disposição, comida e bebida, velhas de bigode, frio, música e pagode – o V Périplo Transmontano.
Saída de Lisboa com o devido atrasado rumo a Chaves, onde nos esperava o eternamente amado Guiça. O que valeu foi que ainda chegámos cedinho (1 e tal de manhã), e por isso deu para irmos direitinhos para a Quinta da Mata, onde nos esperavam as prometidas botelhas e a saborosa sopinha. Digamos que, com música à mistura, a coisa rendeu até de manhã, ainda com tempo para recuperar forças e rumar pela fresca até Couto de Dornelas, em busca do cozido à portuguesa.
De notar que, para os bravos do pelotão, ainda houve tempo para um pastelinho de Chaves, e, para os bravos entre os bravos – mesmo que alguns tenham escorregado no gelo e desmaiado numa qualquer rotunda – , uma bela caminhada matinal seguindo o cheiro do cozido, quais batedores, prontos a fazer o reconhecimento da aldeia. Se bem que o melhor que conseguiram foi receber a magia de um vendedor, que nos presenteou com a seguinte expressão (não me lembro qual o contexto, mas julgo que estava a tentar impingir o pacote do dia – por 1 euro, um canivete, um isqueiro e um baralho de cartas, para os mais distraídos, é o suficiente para o McGuiver montar uma bomba): “Verde, cor de esperança, que quem espera sempre alcança, e não leva um pontapé na pança”. Um poeta.
No entanto, verdade seja dita, a mesa (continuo a achar que se não era um banco parecia mesmo) já estava bem composta de bocas famintas, pelo que foi necessário recorrer ao plano B.
Vindos das Covas, fomos à festa nas Alturas do Barroso, também em honra de S. Sebastião, lugar onde tivemos direito a uma merecida feijoada, retribuindo a dádiva com alguma da nossa maravilhosa música, e, pela primeira vez em público, o novo hit “Na Casa da Pesca“.
Já da barriga cheia, seguiu-se o passeio até Montalegre, sendo que pelo caminho pudemos apreciar a bela paisagem transmontana. De realçar, e para história, fica a performance da música “A minha sogra é um boi” junto à barragem, em homenagem à posta barrosã.
Chegados a Montalegre, visita ao Castelo, e mais uma vez para história, em homenagem aos velhos tempos, o Feitiço entoado por dois veteranos com toda a alma e emoção. Fome a apertar, hora da Feira do Fumeiro. Bom, não foi bem o que esperávamos, por isso mais vale seguir em frente. Umas alheiras para preparar a barriguinha, e hora de ir jantar: como não poderia deixar de ser, a suculenta posta barrosã. Escusado será dizer que houve tempo para umas musiquinhas… De regresso a Montalegre para gastar as energias que ainda restavam, aproveitou-se a noite até o cansaço apertar a sério, altura de voltar a casa. Consta que alguns se perderam e foram parar ao lado de lá da fronteira, mas ainda conseguiram regressar sãos e salvos.
Terminado o merecido descanso, já o sol ia alto, fomos directos ao almoço, pois não havia tempo a perder para assistir à tão esperada Chega de Bois. Bom, quer dizer, a coisa não durou lá muito tempo, mas vá lá, quando chegámos ainda deu para ver o boi vencido na chega… E, sendo assim, tempo das despedidas, lágrimas (pronto, não houve, mas teria sido bonito, para a próxima os caloiros hão-de trabalhar melhor nisso) e abraços, e todos a postos para o regresso a casa. Regresso, esse, que valeu pela passagem por Cácemes, a convite de D. Corleone, onde mais uma vez fomos recebidos com amor e carinho: um belo manjar e um licor de cereja, para desmoer da longa e cansativa viagem. Retribuímos, novamente e da forma que melhor sabemos: dar música. Agora sim, cada um para sua casa, e o aguardado descanso (agora a sério).
E assim foi. Há quem diga que foi à antiga, e a verdade é que correu bem, Que, como este, novos périplos estejam à nossa espera para renovadas aventuras. Não poderia deixar de realçar que, para além do Guiça, e para relembrar os antigos, pudemos contar com o Pedro Lopes entre as nossas fileiras.
Obrigado Guiça, e até uma próxima (nem que seja no VI Périplo Transmontano).
Wally Reports (com um dedito azul a ajudar…)