Digressão pela Ilha Dourada (parte II) ou "As aventuras dos bravos heróis" (inclui os segredos: como ficar acordado debaixo de água e algumas das receitas do chefe Violino)
Nesse dia 19 de Agosto, encontravam-se reunidas as tropas no Aeroporto de Lisboa, uns depois de almoço, outros logo pela fresca (a ansiedade é uma coisa terrível e o desconhecimento da hora de partida, também). Podiam ver-se quatro bonitos, grandes e lustrosos caloiros – Flori, Wally, Sforza e Carteiro – a serem constantemente instruídos pelos eternamente doutos veteranos – Violino o Moreias, Relâmpago o Barbatanas, Chinês o Irrefutável, Preto o Sábio, Frisumo o Pacato e Alain o Belo.
Sim, é verdade, o prometido regresso de Violino o Moreias aconteceu mesmo, depois de espalhada a magia pelo império britânico, e Sforza decidiu-se a tirar o rabinho da água das termas para mais aventura, depois de um ano passado na terra-mãe. Mais tarde, pudemos ainda contar com o apoio de PP o Imenso, que mesmo por pouco tempo não pôde deixar de nos acompanhar em tão reconfortante viagem.
Chegados à Ilha Dourada, instalámo-nos no Hotel Vila Baleira, aproveitando, os veteranos, para conhecer a ilha num belo veleiro (obrigado, senhor Camacho) e matar saudades do Zé, o Cuco, sendo que, por falta de lugares, os caloiros se propuseram fazer o mesmo, mas a butes, indo ao encontro das nativas e conseguindo chegar a casa igualmente satisfeitos com a visita nocturna, tendo-se pressentido um perfume de inveja na cara de Preto o Sábio no regresso de tão abanada navegação. Isto de dar de comer aos peixinhos é mais bem feito por quem sabe…
Para além das gloriosas actuações, houve ainda tempo para que uns conhecessem as profundezas das águas de Porto Santo, graças ao curso de mergulho que aproveitaram para fazer por lá, e para que os restantes se desenrascassem em apneia nas águas do Zimbralinho, altamente recomendadas pelos pioneiros Floripinga e Chinês o Irrefutável.
Como curiosidade, registe-se que o GSFMH passou a contar com sete mergulhadores encartados, estando em avaliação a certificação desta entidade como centro de formação à distância.
O referido curso deu água pelas barbas aos corajosos mergulhadores, e, nas sábias palavras de Alain o Belo, “Agora já nem as fossas abissais nos metem medo!”, pois que, ao que consta na mitologia Porto Santense, se bateu com o grande escafandrista Miguel, o Deus das Águas, criador do conceito de “planeamento pós-execução”.
A maldição do escafandrista pairava sobre os empenhados estudantes de mergulho, de tal forma que houve quem adormecesse nas aulas, dentro ou fora de água, obrigando os amaldiçoados a fazer o pino ou o 360º para manter a pestana aberta, por via do maior aporte de sangue ao cérebro.
E, na verdade, houve tempo para de tudo um pouco: o futebol na praia, as aulas de natação – aluno empenhado e progressos à vista –, as passeatas nocturnas com ponchas de maracujá, as refeições no Cabeço – “Era um prego especial no bolo do caco e uma brisa, sff” ou “Uma sandes de galinha com uma fatiazinha de queijo” –, as peregrinações aos picos locais, os banhos de sol, o karaoke, as carreiradas nas ondas – de dia e de noite –, as visitas pela ínsula à pala da moça do pontuador de serviço no Porto Santo, e muito, muito mais.
Quanto às receitas do nosso chefe Violino, que envolviam as mais diversas espécies marinhas (afinal de contas a Nazaré é uma escola de vida), e os segredos dos bravos mergulhadores… bom, também não queriam mais nada…
FreshmenReport (Difusão: Wally, Floripinga e Carteiro)
[Edição claramente melhorada pela Comissão para a Decência no Lazer]