Avaliação e Intervenção em Saúde Mental

Unidade Curricular: Avaliação e Intervenção em Saúde Mental
Ano:

Semestre:

Área Disciplinar:

-

ECTS:

Regente:

Ana Paula Lebre dos Santos Branco Melo

Objectivos:

O conceito de saúde hoje visto como um estado e, simultaneamente, a representação mental da condição individual, do bem-estar físico e emocional é reflexo de um processo dinâmico e contínuo, sendo a saúde mental inseparável da saúde e do bem-estar geral. A visão da saúde mental tem sofrido ao longo das últimas décadas transformações, ultrapassando um panorama caracterizado pelo estigma e discriminação, e assume-se como um aspeto determinante para o bem-estar do indivíduo e da sociedade, pois esta diz respeito a características e condições intrapessoais bem como à relação do indivíduo com o meio envolvente (família, amigos, trabalho e a comunidade em geral). A Organização Mundial de Saúde (OMS), afirma que “(…) é quase impossível definir saúde mental de uma forma completa” (2002, p. 32), dado que diferenças culturais, julgamentos subjetivos e teorias concorrentes afetam o modo como a saúde mental é definida. No entanto, é consensual que a saúde mental é muito mais que a mera ausência de perturbações mentais, estando a sua dimensão positiva patente na definição de saúde da OMS (1986), como “(…) um estado de completo bem-estar físico, mental e social e não somente a ausência de doença” (p.1), ou quando se refere a saúde mental como o estado de bem-estar no qual o indivíduo realiza as suas capacidades, podendo fazer face ao stress normal da vida, trabalhar de forma produtiva e contribuir para a comunidade em que se insere (OMS, 2002). A nível dos estudos epidemiológicos na Europa, os problemas de saúde mental respondem por cerca de 1/4 da carga total de problemas de saúde. Por outro lado um grande número de perturbações mentais pode iniciar-se na infância, tais como as perturbações desagregadoras, a esquizofrenia infantil, a depressão, as manias e a doença maníaco-depressiva, o comportamento suicida e as suas perturbações, a ansiedade de separação e as perturbações somáticas sendo que a magnitude do impacto resulta não só da prevalência das perturbações mentais, mas também do acesso a cuidados de saúde adequados às suas necessidades. É neste âmbito que situamos o papel potencial da prática psicomotora.

A UC de Avaliação e Intervenção em Saúde Mental tem como objetivo geral desenvolver nos alunos competências para a avaliação e intervenção no âmbito das práticas de intervenção psicomotora realizadas em contextos da saúde mental, numa dimensão preventiva e terapêutica.

A disciplina abordará as perturbações com maior prevalência e impacto na funcionalidade dos indivíduos, enquadradas no âmbito da saúde mental, sendo organizada mediante a apresentação de estudos de caso que ilustram as boas práticas metodológicas da intervenção psicomotora.
Desta forma pretende-se fomentar o desenvolvimento do espírito científico, do pensamento reflexivo de modo a facilitar a construção de indicadores de qualidade de acordo com os ganhos associados ao trabalho dos psicomotricistas bem como o reconhecimento e valorização das práticas psicomotoras no âmbito da promoção da saúde mental.
Assim, é objetivo desta unidade dar a conhecer modelos de avaliação e intervenção psicomotora e discutir a sua aplicabilidade.

Esta UC pretende desenvolver as seguintes competências nos alunos:
- Dominar a conceção de intervenções psicomotoras a nível da avaliação, definição de objetivos, estratégias, métodos, técnicas, atividades e gestão de recursos;
- Desenvolver metodologias para o diagnóstico e intervenção psicomotora implicadas na intervenção dirigida a indivíduos de diferentes grupos etários, apresentando: perturbações da consciência; pensamento; memória; orientação; humor; imagem corporal; auto-estima; autocontrolo; coping; stresse; ansiedade; tristeza; solidão; obsessão; alucinação; insónia; agitação; dor; uso de álcool; uso de drogas; interação social.

Conteúdos Programáticos em Syllabus:

A disciplina será organizada pelos seguintes conteúdos:
a) Políticas globais, modelos teóricos e métodos de avaliação e intervenção no âmbito da saúde mental
- Da Psiquiatria à Saúde Mental
- A intervenção psicomotora nos contextos da saúde mental
- Conceções de Doença Mental e mecanismos bio-psico-sociais
- Fronteiras entre o normal e o patológico na infância, adolescência, adulto e idoso numa perspetiva da saúde mental
- Noções de vulnerabilidade, fatores de risco e de proteção em saúde mental
- O papel da psicomotricidade na prevenção e promoção em saúde mental
- A saúde mental na área de aplicação e prática psicomotora
b) Avaliação em saúde mental no contexto da prática profissional do psicomotricista
- Modelos e instrumentos de avaliação em saúde mental com incidência na avaliação psicomotora
- Instrumentos de avaliação na intervenção psicomotora dirigidos para crianças, adolescentes, adultos e idosos
c) Intervenção em saúde mental no contexto da prática profissional do psicomotricista, com incidência nos seguintes grupos:
- Perturbações mentais na infância; Depressão e ansiedade
- Perturbações mentais na infância; Comportamento
- Perturbações na infância/adolescência/abuso sexual/luto/stress pós-traumático
- Avaliação e intervenção com adultos; Stress e ansiedade
- Distúrbios somatoformes, psicossomática, distúrbios alimentares; Adultos e adolescentes
- Intervenção com adultos, modelos de intervenção grupal
- Intervenção em saúde mental de adultos com experiências de institucionalização prolongada (psicoses)
- Intervenção psicomotora na população idosa com demência

Avaliação:

1. Avaliação contínua
A avaliação contínua da unidade curricular no ano letivo de 2017-2018 consiste na realização de dois trabalhos e uma frequência com as seguintes ponderações:
Frequência 30%
Trabalho de desenvolvimento temático 20%
Trabalho de grupo sobre modelo de intervenção psicomotora em saúde mental (50%: componente escrita 40%; discussão oral 10%). A nota final inclui ponderação de auto e heteroavaliação no parâmetro relativo à discussão oral.
A assiduidade será condição para esta modalidade de avaliação, implicando a presença em 2/3 das aulas teórico-práticas.

2. Exame final
Prova escrita com caráter obrigatório quando:
a) O estudante não efetuou a frequência;
b) O estudante obteve uma avaliação inferior a 7,5 na frequência, ou num dos parâmetros da avaliação teórico-prática;
c) O estudante não teve uma assiduidade igual ou superior a 2/3 de presenças às aulas teórico-práticas;
d) O estudante não obteve uma avaliação igual ou superior a 10 valores: Prova escrita e oral.

Bibliografia:

Ballouard, C. (2006). Le travail du psychomotricien. Paris: Dunod.
Corraze, J. (2012). Les troubles psychomoteurs. Paris: De Boeck Solal.
Calza; A.,& Contant, M. (2007). Psychomotricité. Issy les Moulineaux: Masson.
Giromini, F., Albaret,J.M., Scialom, P. (2012). Manuel d’enseignement de psychomotricité. Tome 1 – Concept fundamentaux. Paris: De Boeck Solal.
Giromini, F., Albaret,J.M., Scialom, P. (2015). Manuel d’enseignement de psychomotricité. Tome 2 – Méthods et Techniques. Paris: De Boeck Solal.
Giromini, F., Albaret,J.M., Scialom, P. (2015). Manuel d’enseignement de psychomotricité. Tome 3 – Clinique et thérapeutique. Paris: De Boeck Solal.
Calza; A., & Contant, M. (2007). Psychomotricité. Issy les Moulineaux: Masson (Collection Abrégés).
Pierre, A., Benavides, T. (2004). Corps et Psychiatrie. Paris: Heurs de France.
Potel, C. (2010). Etre psychomotricien, Toulouse, Erès.
Acouturier, B. (2005). La méthode Aucouturier: fantasmes d’action et pratique psychomotrice. De Boeck.

Programa em formato pdf:

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